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terça-feira, 1 de março de 2011

QUEM SE AFOGARÁ NAS ÁGUAS SUJAS DA CAMÂRA MUNICIPAL DE CAICÓ?



Por: Engº. José Procópio de Lucena - Membro do Fórum Popular Permanente de Debates sobre as Políticas Públicas de Caicó


A Câmara de vereadores de Caicó perdeu de vez a compostura, são escândalos infindáveis, seus pares se acusam e se violentam permanentemente. Depois, se acordam e velam o pacto da impunidade, comportam-se como senhores feudais, acima da lei. A Câmara transformou-se na ilha da fantasia, os vereadores usam seus cargos e a chamada representação do povo para se locupletarem e obterem vantagens para seus apaziguados, transformando a casa do povo, em casa sem pudores.

Nós Caicoenses, que pagamos nossas contas honestamente, precisamos reagir, exercitar nossos direitos coletivos e individuais assegurados no estado democrático de direito. Cada vereador custa aos nossos bolsos, o equivalente a R$ 29.166,00, ou seja, cada vereador custa por mês 53 salários mínimos (R$ 545,00) aos nossos impostos. Estes senhores poderosos, podem tudo, fazem o que querem com o nosso dinheiro, pintam e bordam como explicou o ex-presidente da casa legislativa, o vereador Zé Maria, em documento de áudio obtido por escuta ambiental feita pelo vereador Valdemar Araújo: “não devemos explicações a ninguém, que se lixe a opinião pública”.

Mais um espetáculo deprimente se repete na Câmara municipal, agora com detalhes operacionais das práticas repugnantes que depõem contra a ética na política. Podemos chamar a reincidência da futilidade, constrangimento, imbecilidade e, principalmente, da impunidade. Os representantes desta Casa parecem ter a plena certeza de serem intocáveis, incomuns, acima da lei, a superioridade do ser.

Quem se afogará nestas águas sujas, das notas fiscais frias, sonegação de impostos, uso de laranjas para ganhos desonestos, diárias para eventos falsos, falsificação de documentos, rateamento dos recursos públicos e tantas outras safadezas com o erário público, que deveria envergonhar um ser político minimamente honesto e justo?

A corrupção destrói a vida cotidiana das pessoas, seja aqui em Caicó ou em qualquer lugar do planeta. Porém, a cada dia, nascem múltiplas lutas, aqui e no mundo, para combater e eliminar esta praga que produz efeitos violentos na qualidade de vida do povo, principalmente dos que necessitam de políticas públicas que, certamente, não são os ricos, nem daqui nem de lugar nenhum.

Mobilizemo-nos, massivamente em Caicó, para dizer não aos vereadores que utilizam seus mandatos para usufruírem dos recursos do povo para seus interesses pessoais, enquanto a população não tem acesso aos direitos básicos garantidos e proclamados na Constituição cidadã.

Lutemos! Para banir da vida pública caicoense, políticos inescrupulosos e venais, que em vez de utilizarem o mandato para trabalhar em defesa do povo, utilizam-se deste espaço para malversação das verbas públicas e enriquecimento ilícito. Dinheiro, este, que falta na escola, na saúde, na merenda escolar, nos abrigos de idosos, no tratamento de drogados, na moradia, saneamento básico, no apoio aos agricultores e para as entidades sociais que prestam serviços diversos à sociedade.

Mobilizemo-nos todos, sejam da cidade ou do campo, para impedirmos a impunidade, já defendida e proclamada desavergonhadamente pelos que se locupletam destas malandragens políticas.

Fiquemos atentos aos comentários dos que fazem rádios e blogs em Caicó. Estes espaços, com raríssimas exceções, não passam de transmissores de “lengalenga”, que fingem ser independentes e autocríticos. Contudo, são apenas emissores de autoelogios e autoagradecimentos pelos serviços prestados e pelos ganhos pessoais, no espaço da Câmara e merecimentos individuais, prestados por determinados vereadores, com tempo livre a qualquer hora da programação radiofônica para comunicar até briga de calango sem plateia. Uma verdadeira excrescência para um serviço determinado por uma concessão pública.

É preciso que tenhamos a consciência e a certeza que o poder emana do povo e não dos políticos. Afinal, quem os coloca no poder é o povo! Mas, somente organizados e motivados pela defesa da democracia e do respeito aos nossos direitos é que poderemos fortalecer nossas lutas e unificar nossas vozes em repúdio ao “espetáculo nefasto de corrupção” armado pelos nossos representantes, na Câmara de Vereadores de Caicó.

Se não for agora, quando será? Basta de assalto contra o povo honesto e trabalhador de Caicó. Se nada for feito agora, em breve, não só nossos impostos e direitos continuarão sendo assaltados, mas o futuro de uma geração, de um povo. Os valores éticos, culturais e morais serão banalidades, equívocos geracionais, baboseiras civilizacionais. Sem a ética na política, tendemos a atrofiar e empobrecer nossa natureza humana e a relação conosco e com os outros.

Saudações Ecossocialista!

quinta-feira, 18 de junho de 2009

( EXTRA DO BLOG ) O STF ERROU PRIMOROSAMENTE


Seria realmente uma maravilha se todos os "sem-diploma" já tivessem nascido preparados para o exercício da profissão, com curso de inglês, domínio da internet, gosto pela leitura e compreensão do que é um ‘nariz de cera’ (para evitá-lo, é claro).

Mas a realidade não é esta.

O diploma — que implicava na passagem pela universidade (quatro anos de cadeira) — funcionava como filtro para impedir (também) que qualquer espertalhão metido a letrado fosse parar comodamente numa redação.

Não estou dizendo que o diploma impedia o desvio de caráter, não é essa a questão. Algumas rádios, ou, jornais da cidade são prova de que o diploma não extingue a corrupção. Mas o fato de saber que para obter um diploma, o sujeito teria de passar quatro anos numa cadeira de universidade, certamente afastava muita gente que preferem a trilha mais fácil.

O diploma era um critério sólido, inicial, para distinguir quem pode ou não exercer a profissão. Liberdade de expressão é algo mais amplo. Todas as profissões requerem algum critério básico.

A exigência do diploma garantia ainda que ao passar pela universidade, os com menor chance de entrar numa redação — aqueles que não tem ‘QI’ — obtivessem a possibilidade de arrumar um emprego na área. O diploma seria a senha. O ‘talento’ (critério que envolve diversos fatores, para o bem ou para o mal) seria a garantia de permanência.

É claro que as empresas afirmam que vão continuar contratando somente diplomados. Mas (vamos combinar) para que contratar um cara diplomado se eu posso contratar meu filho, que escreve tão bem e é tão inteligente (puxou ao papai!). E que concorda comigo sobre a necessidade de se implantar a pena de morte no país.

O fim do diploma não é o fim do mundo. Mas é certamente o começo da perda de diversas garantias que jornalistas profissionais possuem.

Não sou contra o exercício da profissão por pessoas que não tem o diploma, mas o fim da exigência não é algo a ser comemorado. Pelo contrário, seria muito mais democrático ter encontrado uma forma de assegurar o pleno exercício da profissão para os que têm reconhecida capacidade/experiência na área, do que ter assassinado o diploma.

O STF errou. E errou ainda mais porque não avaliou que neste momento há milhares de pessoas dentro das universidades que vão ficar sem saber o que fazer. O STF errou. Mas a culpa não é só dos ilustres magistrados.

PS.: Além de saber as leis e as terminologias do direito, o que mais é necessário para ser advogado?